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Profissão de Business Manager

Business manager numa ESN: empreendedor ou empregado?

Frédéric Le Pennec·21 de maio de 2025

O cargo de business manager numa ESN é frequentemente vendido como uma aventura empreendedora, enquanto na realidade continua a ser uma função de empregado com fortes restrições. Este paradoxo torna o cargo muito formativo, mas também um campo de desgaste e partida para os melhores perfis.

Business manager numa ESN: empreendedor ou empregado?

Uma promessa empreendedora... que atrai

Nos anúncios e entrevistas, vendem a você o posto de business manager como uma aventura empreendedora. Você vai "montar seu próprio centro de lucro", "criar sua BU", "pilotando sua atividade como um mini-CEO".

Enfim, falam à sua ambição. E funciona: essa promessa atrai perfis dinâmicos, motivados, que querem provar que podem ter sucesso onde muitos falham.

Mas, uma vez conquistado o posto, a realidade é mais complexa: você é empregado. E esse status tem consequências muito concretas.

Um empreendedor na coleira

Na prática, você não escolhe nem as ferramentas, nem a política de preços, nem as prioridades estratégicas. Você deve seguir processos impostos, fazer relatórios constantes, respeitar objetivos muitas vezes desconectados da realidade do campo.

E sobretudo, algumas ESNs usam o discurso empreendedor para justificar condições de trabalho insustentáveis:

  • Horários longos,
  • Presença esperada à noite e nos finais de semana,
  • Nenhum reconhecimento do tempo investido fora do quadro legal.

O raciocínio é simples (e tóxico):

"Você quer ser empreendedor? Então não conte suas horas."

Mas sem liberdade de decisão, sem participação nos lucros e sem autonomia real... é apenas uma maneira de queimar juniors em série, fazendo-os acreditar que estão construindo algo.

Empregado hoje, empreendedor amanhã?

No entanto, essa fase de empregado não é inútil. Na verdade, é indispensável.

Antes de querer se aventurar como empreendedor, é preciso aprender a:

  • entender os mecanismos do modelo econômico,
  • dominar os ciclos de vendas e recrutamento,
  • desenvolver uma postura de consultoria,
  • construir uma equipe,
  • evitar os erros clássicos de iniciantes que afundam um negócio.

É exatamente como em uma rede de franquias: a promessa é tornar-se independente, gerenciar seu ponto de venda ou setor. Mas sem um onboarding estruturado, progressivo, exigente, os franqueados falham em massa.

Por que as ESNs muitas vezes ignoram essa fase de formação? Porque elas querem ir rápido. Rápido demais.

O paradoxo das ESNs

O que é paradoxal é que os melhores business managers, aqueles que entendem o modelo, desempenham, fidelizam, inovam, são também aqueles que acabam por sair para criar sua própria estrutura.

Eles reproduzem (ou melhoram) o que aprenderam, e às vezes se tornam concorrentes diretos de sua antiga empresa.

É o dilema que poucas ESNs se atrevem a encarar: para fazer crescer sua empresa, é preciso recrutar mentes empreendedoras... mas se eles forem realmente bons, eles vão te deixar.

Então deve-se apenas recrutar perfis "médios"? Não.

Mas é preciso aceitar esse modelo e criar condições de evolução que façam as pessoas quererem ficar. Ou, pelo menos, que permitam a cada um aprender, progredir e depois sair em boas condições.

O business manager não é meramente um empregado executor, nem ainda um empreendedor totalmente livre. É um perfil híbrido, em formação acelerada, que aprende na prática a equilibrar prospecção, recrutamento, gestão humana e condução de atividades.

É um papel exigente, muitas vezes mal enquadrado, por vezes superexplorado, mas incrivelmente formativo para aqueles que aguentam o ritmo. E talvez seja isso que o torna ao mesmo tempo rico... e limitado: pois aqueles que se destacam muitas vezes acabam por querer alçar voo com suas próprias asas.

E a sua organização, em que ponto está?

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